Capítulo 01 de 8
Como tudo começou?
2005 · a denúncia vem a público
Estamos no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, iniciado em 2003. Para aprovar suas propostas, o governo precisava de apoio no Congresso. Negociar apoio político faz parte da democracia; a questão que explodiu em 2005 era outra: esse apoio estaria sendo comprado com pagamentos ilegais?
Em maio de 2005, uma reportagem da revista Veja revelou uma gravação de um funcionário dos Correios, Maurício Marinho, recebendo dinheiro. A suspeita de corrupção na estatal levou à abertura de uma investigação no Congresso. Até aí, o foco eram os Correios.
Em junho, o então deputado Roberto Jefferson, do PTB, disse em entrevista à Folha de S.Paulo que parlamentares recebiam pagamentos para apoiar o governo. A acusação ampliou a crise: já não se discutia apenas o que acontecia em uma empresa pública, mas a relação entre dinheiro e decisões políticas. O nome Mensalão se consolidou nesse debate.
As comissões parlamentares passaram a examinar depoimentos e movimentações financeiras. Um relatório parcial conjunto, publicado em setembro, registrou saques de contas de empresas ligadas a Marcos Valério e nomes de beneficiários ou intermediários. Era uma apuração do Congresso, não uma sentença criminal.
Aqui começa uma diferença que acompanha toda a história: uma pessoa pode aparecer numa investigação sem que uma acusação contra ela seja comprovada. O caminho entre suspeita e condenação precisa passar por provas, defesa e julgamento. Jefferson, por sua vez, não ficou apenas no papel de acusador: também seria réu e condenado na ação.
Fontes do capítulo 1
Síntese própria. Relatos de acusações, defesas e votos individuais são identificados como tais; não equivalem, sozinhos, à decisão final do tribunal.